Néctar Frutas - Desenvolvimento da Identidade Visual

25 de Agosto de 2008

A iaku.org desenvolveu durante o mês de maio de 2008 a identidade visual para a empresa Néctar Frutas, distribuidora situada em Goiânia.

A partir de reuniões com o cliente estabelecemos os objetivos principais para o desenvolvimento desta identidade: uma marca pregnante, simples de ser aplicada e que permitisse desdobramentos para adequar-se a vários tipos de frutas.

Ao longo do processo percebemos que o nome da empresa circunscrito em um círculo poderia ressignificar esta forma básica através de um detalhe da tipografia, e que a mudança de cores desse círculo permitiria adequações a vários tipos de fruta sem que perdêssemos a pregnância e identificação da marca. Além disso, a forma permite aplicações sobre fundos diversos(e adversos), sem que haja necessidade de criar caixas, podendo também ser aplicada nos selos que são grudados nas próprias frutas, fazendo com que o estes selos reforcem a marca no momento da compra.

Néctar Frutas

Variações do logotipo Néctar Frutas

As cores institucionais foram definidas a partir da fruta que é o carro-chefe da empresa, a banana, mas existem outras combinações de cores definidas e variações ilustrativas da marca, previstas para comunicação com o público infantil, por exemplo.

Aplicações sobre fundos diversos da marca Néctar Frutas

Aplicações sob diversos fundos do logotipo Néctar Frutas

Livro sobre Web Analytics

24 de Agosto de 2008

Há alguns meses comprei o livro Web Analytics – AN HOUR A DAY. O livro me surpreendeu bastante, principalmente pela clareza com que o autor expõe suas idéias.

Avinash Kaushik insere o Web Analytics em um saber amplo e traça esse conjunto de uma multiplicidade de disciplinas – pesquisa de mercado, business intelligence, usabilidade, acessibilidade, SEO, PPC etc – até chegar a um objetivo considerado a totalidade dos esforços: como entender a essência do negócio para extrair vantagens competitivas sustentáveis.

Posso estar enganado, mas tenho a sensação de que no Brasil os profissionais tendem a enxergar essas disciplinas de maneira isolada ou insistem em ficar presos a meia dúzia de receitas a serem implementadas, sem entenderem o real objetivo do cliente.

SEO é um bom exemplo disso. As pessoas discutem bastante sobre técnicas, melhores práticas, reescrevem posts de blogs famosos, etc. Mas quase não vejo sites que inserem essas técnicas em um contexto amplo que busque inteligência competitiva. Quem foi ao SMX e teve a oportunidade de ouvir o keynote da Melanie Mitchell talvez entenda melhor o que estou dizendo.

Mitchell e Avinash exploram o mundo SEO de uma maneira rica que vai além das simples aplicações de técnicas. Eles desenvolvem metodologias que inserem o SEO no core das empresas. É um tipo de pensamento mais maduro em relação a essa disciplina que é tão dinâmica, e, se utilizada de maneira correta, traz maravilhosas vantagens competitivas para as empresas.

Para finalizar, vale a pena destacar a simplicidade com que Avinash expõe seus profundos pontos de vista sobre Web Analytics. O cara é bastante acessível e quando entrei em contato com ele recebi um super troféu – ele me enviou um exemplar do livro autografado. Esse contato acabou me rendendo um trabalho que falarei mais tarde em um novo post.

Autógrafo Avinash - Web Analytics

BIC e os políticos brasileiros

22 de Agosto de 2008

Publicidade caneta e barbeador BIC

Ontem recebi essa propaganda da BIC que lembrou-me a infância. A agência holandesa que a desenvolveu conseguiu, em duas páginas e de maneira simples, interligar dois dos produtos mais populares da marca BIC: as canetas e os barbeadores.

Quando eu era criança e acreditava em Papai Noel, também gostava da época das eleições: por alguns meses eu e minha irmã ficávamos com nossas canetas e canetinhas rabiscando rostos de políticos, colocando chifrinhos, bigodes, óculos escuros, fazendo tatuagens, colagens, Monalisas. Lembro-me também de um bar em que todos os santinhos dos políticos ficavam colados em uma superfície de madeira, alguns rabiscados outros imaculados: um verdadeiro yearbook da classe política local.

Nessas eleições, na situação em que nos encontramos, de desviar da merda pra pisar no cocô, uma das possibilidades de participação no processo eleitoral, sem sujar as mãos, é justamente a intervenção com canetas BIC nos rostos dos nossos queridos candidatos. Quem quiser sujar as mãos, que use nanquim.

Os piores Snippets

5 de Junho de 2008

Snippet é um pequeno pedaço de alguma coisa, geralmente informação. Snippet, no contexto aqui tratado, refere-se ao pequeno texto que aparece quando fazemos alguma pesquisa no Google.

Alguns exemplos de snippets ruins:

Snippet Festival de Gastronomia de Tiradentes

Festival de Gastronomia

Snippet Fanta

Fanta

Snippet Electrolux

Electrolux

Snippet Guarana Antartica

Guaraná Antartica

Maços de cigarros; agora piores.

30 de Maio de 2008

“Maços de cigarro terão imagens mais fortes”. Assim foram anunciadas pela Anvisa e o Ministério da Saúde Adverte, há cinco anos, o teor das imagens que atualmente estampam os maços de cigarro.

Feto em um cinzeiroImagem metafórica do Ministério da Saúde para ilustrar a teoria de que fumar aumenta o risco de infartos

Na última terça-feira, dia 27/05, o ministro Temporão divulgou as novas imagens “oficiais” dos versos dos maços de cigarro, desenvolvidas através de uma parceria entre o Instituto Nacional do Câncer, os Laboratórios de Neurobiologia da UFRJ, e de Neurofisiologia do Comportamento da UFF, o Departamento de Artes e Design da PUC-Rio e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Se as imagens anunciadas em 2003 eram “mais fortes”, as anunciadas nesta semana estão anabolizadas: desde um feto em meio a cinzas, passando por um cadáver até chegar a um “coração cinzeiro”, as imagens são violentas.

Diferentemente das anteriores, as imagens não mais apresentam vítimas reais do tabaco, mas modelos, e não se resumem a fotografias, passando a fotocomposições digitais, metafóricas e hiperbólicas, um soco de hiper-realidade a cada cigarro acendido.

Num e-mail enviado ao Professor Nilton Gamba Jr., do Depto. de Artes e Design da PUC-Rio, afirmando que gostaria de saber mais sobre a pesquisa, perguntei quais os motivos apresentados para a troca das antigas imagens, qual o motivo para que as imagens sejam tão agressivas (o briefing disso deve ser fantástico, ou resumir-se a “MOSTRAR QUE MATA”) e como os designers envolvidos com a construção das imagens se comportaram. Ainda não fui respondido mas assim que o for…

Um dos trabalhos que apresentei no último Ndesign é um livro-objeto-maço-de-cigarros. Ao ser questionado pelos colegas presentes sobre o “papel social do designer” argumentei que tinha consciência dos males causados pelo cigarro (e que é impossível alguém desconhecer os prejuízos trazidos pelo hábito de fumar) mas que, observando esta história a mais tempo, outro ponto havia se tornado mais importante: a liberdade individual.

Ainda que a população brasileira deseje a proibição do fumo em ambientes fechados, entendo como abusivas estas Advertências Sanitárias e todas as proibições de anúncios/públicidade/comercialização (por exemplo, se eu quisesse vender o livro-objeto pela internet, teria que fazê-lo na ilegalidade). Elas não são inconstitucionais pois o cigarro é, de fato, uma ameaça à saúde pública, mas estão cada vez mais agressivas e, ao invés de alertar o consumidor sobre os malefícios do cigarro, faz antipropaganda de um jeito atravessado, enfiado imagens sangüinolentas na goela do consumidor/cidadão em cada uma das embalagens/maços em que o consumidor adquire seus cigarros.

Assusto-me ao ver a figura do fumante transformar-se num ser infra-animal e tantas Câmaras de Vereadores votarem simultaneamente idéias muito parecidas, de proibição de fumo em lugares fechados, bares e boates inclusive. Também parece-me um tanto questionável a autoridade auto-concedida pelas pessoas que não fumam ao se incomodarem com o cigarro alheio e a ausência quase completa da reflexão ao se falar dos limites que cada um deve obedecer em cada uma das etapas do convívio social.

Enfim, não estou escrevendo como um defensor do cigarro, ou criticando o trabalho desenvolvido peos designers: a discussão é menos sobre o objeto e mais sobre a reflexão, o posicionamento e a ação dos designers, que acreditando fazer um bom trabalho podem estar contribuindo para mais uma intromissão desmedida de um Estado-babá no cotidiano de milhões de pessoas.

Enquanto isso colecionemos os maços de cigarro. “Impotência sexual” em forma de ondas de cigarros, nunca mais.

releitura das imagens e textos dos versos dos maços de cigarro

SE A MAR - composição digital, Vicente Pessôa, 2007.

Veja as imagens no flickr: flickr.com/iaku