Arquivo de março, 2008

Peixe impresso | não é historia de pescador

31 de março de 2008

Gravura Gyotaku tradicional

Sexta-feira, procurando imagens de gravuras em metal para um cartaz, digitei no Google a expressão “fish print“. Não encontrei imagens como eu gostaria mas descobri a existência de uma técnica interessante que, inclusive, lembrou-me Yves Klein e os homens das cavernas.

/Fish print/ em japonês é /Gyotaku/, o nome de uma técnica não muito antiga, de aproximadamente 100 anos (em alguns lugares encontrei a data 1880), que consiste em entintar e imprimir peixes (e polvos, caranguejos, etc) em papel ou tecido.

Inicialmente a impressão era feita assegurar a lembrança do tipo e tamanho do peixe pescado, ou seja, para eliminar as dúvidas. Atualmente existem concursos no Japão de “maior peixe pescado” e que o processo de julgamento dá-se através do gyotaku.

Existem japoneses ensinando a técnica mundo afora, artistas utilizando-se dela e empresas vendendo gravuras pela internet. Em um subsite da University of North Texas encontrei várias informações sobre a técnica que, se adotada no Brasil, poderia eliminar do nosso cotidiano a expressão “história de pescador“.

fish print - técnica

fish print - resultado

Posters Semi-Permanent

27 de março de 2008

o amor - the love
o amor - 1/3 - 2007

a chuva - the rain
a chuva - 2/3 - 2007

a flor - the flower
a flor - 3/3 - 2007

Estes três posters foram feitos no início de 2007 para o concurso anual de posters do evento Semi-Permanent.

Todas as imagens foram feitas utilizando um módulo de proporções idênticas e cores diferentes, o mesmo módulo que utilizei em uma pancada de muros e na exposição .acasacai., em 2006.

Este módulo tem a graça de formar essas coisas todas; flor, gota, coração, hélice de DNA. E possui imagens de um imperador Dom Pedro II, um cachorro com cabeça de menino e uma mulher gorda, que se entreolham dentro das composições. E escrito de um jeito mais assim ou assado:

A CHUVA
A
I

Os módulos me motivam por um motivo simples: sou feito de átomos.

No primeiro cartaz foram feitas correntes de corações vermelhos e azuis.

No segundo foi gerado um padrão cheio de gotas que, para não ficar bonitinho demais, foram coloridas de amarelo (R. Mutt - 1917) além do azul, que era de se esperar.

No terceiro e último, primavera.

Nova logo da rede globo| Globo 2.0

27 de março de 2008

Nova marca da Globo

Esta maravilha é o novo redesenho da marca da Globo. Hans Donner defendeu a mudança dizendo:

Nós estamos numa época nova, os tempos mudam e os telespectadores querem impacto. Então vamos renovar o visual, botar para quebrar.

/os telespectadores querem impacto/ é uma boa resposta para tudo na televisão.

Moda Sapeuer | Sociedade e ambiente de pessoas elegantes

21 de março de 2008

SAPE Société Des Aambianceurs Et Des Personnes Élégantes foto de Héctor Mediavilla

Sapeurs foto de Héctor Mediavilla

Sociedade e ambiente de pessoas elegantes

As fotos acima, do fotógrafo Héctor Mediavilla, são de um trabalho intitulado The Congolese Sape. Sape é uma gíria de origem francesa que significa vestir-se com classe. Essa palavra foi adaptada pelos congoleses e surgiu o termo sapeurs. O significado da sigla é Société Des Ambianceurs Et Des Personnes Élégantes, algo que pode ser traduzido como sociedade e ambiente de pessoas elegantes.

Sapatos JM Weston e grifes como Prada, Armani, Ferré, Versace, Roberto Cavalli, Daniel Hechter etc. são as marcas que esses congoleses vestem nos finais de semanas ou em ocasiões especiais. O mais interessante é que a maior parte deles apresenta uma renda incompatível com o modo como se vestem. Muitos possuem em seus guarda-roupas trajes que são mais valiosos que suas próprias casas.

Esse deslumbramento dos congoleses pelo estilo de vestir de alguns europeus talvez tenha se iniciado após uma sucessão temporal de acontecimentos como, por exemplo, as incursões de europeus em território africano, a inclusão do Estado Livre do Congo como propriedade particular do rei belga ao final do século XIX e mais adiante a ocupação francesa.

Um elemento emblemático nessa história parece ter sido André Grenard Matsoua, um importante líder religioso e político que, nos anos 20, após viver em Paris, retornou ao Congo vestindo trajes típicos de um elegante senhor francês.

Esse estilo de vida ganhou força nas décadas de 80 e 90, período em que muitos jovens congoleses foram para Bélgica ou França para realizar trabalhos comuns a imigrantes de países pobres. Eles viviam em guetos e grande parte do dinheiro que recebiam era gasto com grifes extravagantes e outros acessórios. Depois de um tempo trabalhando na Europa essas pessoas retornavam ao Congo onde exibiam seu novo estilo pelas ruas de Brazzaville e Kinshasa

Para esses congoleses a maneira de se vestir é a essência de suas identidades. Quando vestidos a caráter eles mudam o jeito de andar e fabulam um universo onde ocupam a posição principal. A alta costura empresta a essas pessoas um modelo de emoções no qual um personagem pré-definido é encenado. Essa construção de identidade lida com mecanismos que são criados pelos próprios indivíduos, para garantir a blindagem frente uma análise racional. Além disso, os insere em um contexto coletivista, como meio de diluir as críticas, e dar-lhes segurança.

Links relacionados:

La Sape Congolaise #1. Brazaville - Héctor Mediavilla

La Sape Congolaise #2. Brazaville - Héctor Mediavilla

Podcast - roda & avisa

Chick Theory - Joanne Finkelstein

Dream and Drama: The Search for Elegance among Congolese Youth

COLORS Magazine - Paradise is a Fabulous Suit

Processual na Terceira Bienal Latinoamericana de Tipografia

18 de março de 2008

Poster selecionado para a bienal de tipografia tipos latinos de 2008.

Chegando em casa depois de um dia bom abro a caixa de entrada e notícia chega: a fonte Processual, desenvolvida entre os anos 2006-2007 por mim, Zed Martins e Tiago Porto, foi selecionada para os Tipos Latinos, a bienal de tipografia da América Latina, e será apresentada em conjunto com as outras selecionadas em exposições na Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Ecuador, México, Paraguay, Perú, Uruguay e Venezuela.

O projeto teve início com a leitura do livro Processo: Linguagem e Comunicação, do Wlademir Dias Pino que recentemente, por e-mail, nos enviou as seguintes palavras:

“Parabéns para a equipe. Nos últimos tempos é uma das coisas mais importantes que o movimento do Poema//Processo está recebendo. ”

A fonte surgiu a partir de rascunhos em papel quadriculado, ao perceber que determinadas letras poderiam ter suas formas extremamente simplificadas, de modo que pudessem significar vários sinais tipográficos, dependendo da posição.

Disponibilizo aqui os arquivos em pdf com os dois cartazes enviados para os Tipos Latinos, da fonte Processual e do tipotetris, jogo/projeto-de-poema criado com a fonte, além do pdf com o projeto, como foi demonstrado em algumas ocasiões.

Cartaz Tipotetris - Tipos Latinos 2008

Apresentação Processual - Projeto

Poster Processual - Selecionado para os Tipos Latinos 2008