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Moda Sapeuer | Sociedade e ambiente de pessoas elegantes

21 de março de 2008

SAPE Société Des Aambianceurs Et Des Personnes Élégantes foto de Héctor Mediavilla

Sapeurs foto de Héctor Mediavilla

Sociedade e ambiente de pessoas elegantes

As fotos acima, do fotógrafo Héctor Mediavilla, são de um trabalho intitulado The Congolese Sape. Sape é uma gíria de origem francesa que significa vestir-se com classe. Essa palavra foi adaptada pelos congoleses e surgiu o termo sapeurs. O significado da sigla é Société Des Ambianceurs Et Des Personnes Élégantes, algo que pode ser traduzido como sociedade e ambiente de pessoas elegantes.

Sapatos JM Weston e grifes como Prada, Armani, Ferré, Versace, Roberto Cavalli, Daniel Hechter etc. são as marcas que esses congoleses vestem nos finais de semanas ou em ocasiões especiais. O mais interessante é que a maior parte deles apresenta uma renda incompatível com o modo como se vestem. Muitos possuem em seus guarda-roupas trajes que são mais valiosos que suas próprias casas.

Esse deslumbramento dos congoleses pelo estilo de vestir de alguns europeus talvez tenha se iniciado após uma sucessão temporal de acontecimentos como, por exemplo, as incursões de europeus em território africano, a inclusão do Estado Livre do Congo como propriedade particular do rei belga ao final do século XIX e mais adiante a ocupação francesa.

Um elemento emblemático nessa história parece ter sido André Grenard Matsoua, um importante líder religioso e político que, nos anos 20, após viver em Paris, retornou ao Congo vestindo trajes típicos de um elegante senhor francês.

Esse estilo de vida ganhou força nas décadas de 80 e 90, período em que muitos jovens congoleses foram para Bélgica ou França para realizar trabalhos comuns a imigrantes de países pobres. Eles viviam em guetos e grande parte do dinheiro que recebiam era gasto com grifes extravagantes e outros acessórios. Depois de um tempo trabalhando na Europa essas pessoas retornavam ao Congo onde exibiam seu novo estilo pelas ruas de Brazzaville e Kinshasa

Para esses congoleses a maneira de se vestir é a essência de suas identidades. Quando vestidos a caráter eles mudam o jeito de andar e fabulam um universo onde ocupam a posição principal. A alta costura empresta a essas pessoas um modelo de emoções no qual um personagem pré-definido é encenado. Essa construção de identidade lida com mecanismos que são criados pelos próprios indivíduos, para garantir a blindagem frente uma análise racional. Além disso, os insere em um contexto coletivista, como meio de diluir as críticas, e dar-lhes segurança.

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