Feira do Empreendedor | Sebrae-MG
7 de outubro de 2008Como é que os designers e desenvolvedores web produziam sites antes do estabelecimento dos Web Standards?
A resposta é simples, basta olhar o site da Feira do Empreendedor 2008 do Sebrae-MG.
Eu sei que este post está um pouco atrasado, já que a feira aconteceu no mês passado. Porém, só agora tive tempo para escrever minhas impressões sobre o evento.
O site da feira do empreendedor utiliza tecnologias obsoletas em seu desenvolvimento, foge dos padrões web, não é acessível e passa longe do código semântico. Além disso, a organização subestimou o número de participantes.
O resultado não poderia ser diferente: várias reclamações, muitas pessoas bravas, servidores congestionados etc.
Fico imaginando como os responsáveis pelo site da feira do empreendedor analisaram a queda dos servidores e a impossibilidade de realizar inscrições online.
Acho que eles imaginaram algo assim: “A feira do empreendedor está bombando, estamos com tanto acesso que nosso servidor caiu. O evento é realmente um sucesso.”
Será que os organizadores da feira também caíram nessa mentirinha? Creio que sim.
Aliás, esse não foi o único erro que eles cometeram. Eles ainda compraram mais gato por lebre. Os responsáveis pelo desenvolvimento do site provavelmente usaram o hype da mídia social para levar na conversa os encarregados do Sebrae.
Imaginem:
“Agência: Vamos fazer algo diferenciado, um trabalho de mídia social.
Sebrae: Mídia social?
Agência: É, são aqueles ícones legais que aparecem junto ao conteúdo do site. São serviços como o Orkut, Twitter, MySpace, Flickr, YouTube etc, que permitem uma interação muito bacana com os usuários. Isso faz o maior sucesso, é a Web 2.0.”
O engraçado disso tudo, é que os responsáveis do Sebrae não pararam para pensar se mídia social tinha a ver com o perfil do público da feira e, se tivesse, como isso teria que ser implementado para estabelecer conversações com os participantes. Além disso, os desenvolvedores do site inseriram formulários nas páginas do evento permitindo que o usuário deixasse um comentário. O resultado disso misturado com uma má organização foi o seguinte:

Comentários - Feira do empreendedor Sebrae MG
Está bem, vamos considerar que a idéia de utilizar “mídias sociais” não foi da agência. O cliente solicitou algo e a agência apenas executou da melhor maneira que podia. Mas, um trabalho mal executado muitas vezes ganha proporções maiores do que um case de sucesso. Isso pode gerar transtornos para quem realmente possui expertise na área.
Não bastasse a desorganização digital, algumas coisas curiosas aconteceram na feira. Segundo o Sebrae, 40 mil pessoas se inscreveram para o evento, que foi realizado no ExpoMinas. Quando cheguei ao local fui ao balcão fazer a minha inscrição para as palestras e workshops, já que não obtive sucesso através da internet. No ExpoMinas também não tive sorte. A simpática atendente disse que eu poderia esperar lá, e caso houvesse alguma desistência, eu poderia participar. Resolvi tentar a sorte mais uma vez. Esperei. Como já estava na hora do almoço fui ao “restaurante” do evento para comer algo. Após vários minutos na fila pedi uma Coca e uma pizza. A também simpática atendente, após gastar um bom tempo para fazer algumas contas, me entregou uma folha formato A4 com várias fichas para eu destacar. As fichinhas destacáveis variavam entre R$ 0,50 e R$ 1,50, sendo necessárias muitas fichas para soldar minha requintada refeição. Realmente tive um flashback da minha infância e recordei das memoráveis festinhas juninas de quando eu estava no primário.
A parte da Feira que pude melhor aproveitar foram os stands, de empresas, associações e do próprio Sebrae. Foi das poucas atividades em que a troca de informações e de contatos ocorreu “conforme o planejado”, sem que a falta de organização prejudicasse as atividades.
Minhas impressões sobre as palestras? Não consegui ver muitas. Quem sabe na próxima edição.